Domingo, 20 de Junho de 2010

A morte

Mais triste que não ter o que escrever, é não ter para quem escrever. Não ter porque não existe, porque não apetece ter, porque dá trabalho, e por enquanto a necessidade não é justificativa, nem suficiente. Não ter porque não se está nem aí para ter, não ter porque os sentimentos não são suficientes para a atenção preterida, ou simplesmente não ter…

 

Mais triste que relembrar as coisas boas e irremediavelmente passadas da vida, é relembrar a morte. A morte nua e crua que contacta connosco da forma mais abrupta e indiscreta que existe. A vida que nos passa literalmente à frente dos olhos, da mente e do coração, o aperto, o trémulo, a raiva e a fúria que advém do contacto. A lembrança de uma pessoa querida que morreu há um ano, vem-nos profundamente e espontaneamente sem pedir licença, é mal-educada, bate com as portas e magoa, magoa muito.

 

Mais lágrimas.

 

A certeza do futuro de um amigo, ou da falta de futuro, de destino cruel (o destino com a única conotação que interessa, o fim). Essa lembrança é triste e injusta. Quando alguém sente com a maior das penas que ele vai morrer, o egoísmo não deixa querer que esse facto se torne realidade. Eu sei, é um facto, um facto é uma constatação da realidade. Mas a realidade muda e são tantas as realidades…

 

Não quero que ele morra, não quero…

 

Não quero ter mais contacto com a morte, natural, tão natural que ela é. As causas dela não importam minimamente, são mesmo estúpidas, porque depois dela acontecer nada mais importa. Só a dor, só o sofrimento. O sofrimento é egoísta, mas e depois?! Se calhar era melhor assim, se calhar vão dizer: foi melhor assim; evitaram-se mais tragédias. Mas a única tragédia que noticio para além da morte, é a morte da Humanidade. Tudo o resto… Tudo o resto são pedras no sapato, tudo o resto não nos impede de viver.

 

Parece estranho este ser o assunto de 20 meses de Janeiro acumulados, mas como todos os assuntos, não se escolhem quando vêm á tona e porque vêm á tona, aparecem, mesmo que não existisse Janeiro. E este assunto, meus caros, é incontornável… Porque pior que morrer é senti-la. Aos pedacinhos, coisa a coisa vai desaparecendo e quando damos por isso a estranheza acresce exponencialmente. E como tudo o que é exponencial, só conhece o infinito.

 

Nunca tive a presunção que gostasse de mim da mesma maneira, nem lá perto, nem que eu lhe fizesse a mesma falta, nem lá perto… Porque o importante para mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível.

 

O momento também morreu, mas a memória salvou-se!


publicado por Filipa às 21:48
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