Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Natal

Nesta altura do ano, onde não posso ir a um Centro Comercial (não é que faça muita questão, mas há pontos de encontro que nunca mudam), nesta altura do ano, onde as pessoas se deviam precaver financeiramente em vez de serem doidas, nesta altura do ano, onde há pessoas tristes e mais que isso, mais longe do que a minha compreensão; onde pelo contrário, há famílias felizes, por conseguirem juntar quase todos os membros a comer sonhos e a sonhar, onde as pessoas trocam presentes nada simbólicos, onde a magia do Pai Natal se foi, pela simples razão da multiplicação, onde as crianças ficam contentes e idiotas, e não percebem porque são 20 em vez de 21, onde o consumismo e a fartura se sobrepõem ao significado, onde as pessoas celebram com pompa e circunstância aquilo que afirmam não acreditar o ano inteiro, e finalmente, onde a hipocrisia reina, e mais que isso impera; sim, é nesta altura do ano que fico nostálgica.

Nesta altura do ano, quando o meu pensamento vive atribulado, nasce a questão: mas afinal o que significa para mim o Natal? E acreditem, tenho meditado muito nisto, porque as contradições são imensas. Suscitou-me questões religiosas, como a fé no catolicismo (muito engraçado – com todo o respeito). Sou baptizada e tenho a primeira comunhão, fi-la na altura em que o jardim da Igreja era divertido e agradável. Se acredito em Deus? Se acredito na história que a Bíblia conta? Não sou céptica e costumo dar oportunidades. No entanto, não me vou alongar sobre religião nem vão saber a minha opinião (não hoje), voltando assim ao assunto fulcral, o Natal. Para mim o Natal, nunca teve nada a ver com o consumismo nem exageros, teve sempre a ver com frio, uma enorme fogueira, um jantar simples, numa mesa com história, numa casa com vida, fora da confusão das grandes cidades, onde á noite se houve o vento a rasgar; uma família pequena e unida, e enchidos. Nunca foi uma altura particularmente muito feliz para mim, porque fico sempre nostálgica, viajo até ao planeta onde o tempo não passa, ou passa tão lentamente que nem damos por ele, onde as coisas que quero ficam para sempre e nada é relativo. A verdade, é que é uma confissão, e como boa confissão, a primeira.

À fogueira, penso se estarei lá para o ano, mais feliz, menos feliz, mais realizada ou menos, mais madura ou mais infantil (as pessoas também regridem), com mais planos ou menos, com certezas ou bastantes dúvidas, ou simplesmente na mesma, com os mesmos sentimentos característicos desta época, com os mesmos olhos. Lá, onde o calor sabe bem porque acolhe, onde a lenha estala, penso na vida enquanto me mantenho não congelada. Penso em quem é realmente importante para mim e a falta que me faria se por um acaso olhasse no ano a seguir, para a mesma fogueira, sem menos um pedaço de mim. Penso sinteticamente no que já fiz, e no que quero e preciso fazer, e porque causas devo lutar. Tento adivinhar com que olhar me irei aquecer no ano que virá, e com que sabor irei encontrar, a seguir, a morcela á minha espera. E é só naquele momento que é Natal para mim. Os presentes que também recebo, e que costumo abrir sempre passado mais ou menos uma semana ao dia 25 (porque é quando regresso a casa), têm o simples significado de presentes, alguns perfeitamente banais, e outros que guardo com muita estima, por terem sido oferecidos por quem me lembro, quando observo a fogueira.

Este ano, vai ser diferente, não vou passar o Natal da mesma maneira, no entanto, espero definitivamente encontrar uma enorme fogueira, nem que seja dentro de mim.

Os enchidos fazem toda a diferença.

Feliz Natal.


publicado por Filipa às 22:57
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Domingo, 20 de Dezembro de 2009

Ferin

De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar e um barco com o nome da amiga, e uma linha de anzol para pescar? E enquanto pescando, enquanto esperando de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma para o caniço, outra para o queijo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça, para puxar a tristeza, e um pouco de pensamento para pensar até se perder no infinito...

De que mais precisa um homem senão de um pedaço de Terra, um pedaço bem verde de Terra, e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim, que um jardim é importante, carregado de flor de cheirar?

E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque para puxar mistério, que casa sem mistério não tem valor de se morar...

De que mais precisa um homem senão de um amigo para ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar, basta olhar, um desses que desmereça um pouco de amizade, de um amigo para paz e para briga, um amigo de paz e de bar?

E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e para bater nas costas do amigo, e para discutir com o amigo e para servir o amigo na vontade ao amigo?

De que mais precisa um homem senão duma mulher para ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular? E enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho duma mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo?

Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher - as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo...


publicado por Filipa às 16:20
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Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Eu

Antes de dar início á sessão, gostava de agradecer a uma amiga e á psicologia, e informar que se aceitam reclamações.

 

Nome? Filipa Moita Dias

Quantidade de velas no teu último aniversário? Duas.

Tatuagem? Não.

Piercings? As orelhas furadas não contam, pois não?

Já foste a África? Não, mas é um desejo.

Já choraste por alguém? Sim.

Já ficaste bêbada? Vale mentir?

Já estiveste envolvida em algum acidente de carro? Eu diria antes, mais que envolvida.

Metade cheio ou metade vazio? Não gosto de metades, ou é, ou não é!

Lençóis de cama lisos ou estampados? Quentinhos.

Flores? Girassol.

Coca-cola simples ou com gelo? Ice Tea de limão.

Quem dos teus amigos vive mais longe? Tenho poucos e estão todos pertinho.

Quantas vezes deixas tocar o telefone antes de atender? Quantas as que ele demora a calar-se.

Qual a figura do teu ambiente de trabalho? Uma caveira (é macabro, mas e uma foto minha?).

Sentimento? Amor (peço desculpa).

Última coisa que fazes antes de dormir? Virar a cabeça (não é o que todos fazemos?).

Qual o primeiro pensamento quando acordas? "Onde é que se desliga o despertador?"

Peixe ou carne? Marisco.

Música? "Tira a teima" e muitas mais.

Filme? "Dancing in the dark"

Bebida? Champanhe.

Cor? Vermelho.

Personalidade? Wolfgang Amadeus Mozart (pela doideira).

O que nunca tiras? A minha personalidade.

O que tens debaixo da cama? Cobertores e recordações.

Qual a pessoa que talvez não te responda a uma mensagem? Poisedon.

Aquele que com certeza vai-te responder? Um amigo.

Quem gostarias que te respondesse? José Sócrates.

Livro? As intermitências da morte.

Livro que estás a ler? A pérola.

Com quem seria o casamento ideal? Fernando Alvim.

Uma saudade? De quando era mais criança.

Uma característica tua? Incoerência.

Decepções? Desilusões.

Lugares em que morei? Amadora.

Lugar em que gostaria de morar? Nova Zelândia.

Lugar em que estive e voltaria? Pias (Baixo-Alentejo).

Alcunhas? Esqueçamos esta!

Pessoas que me mandam correio electrónico quase todos os dias? news@promocao-ofertas.net (uma merda).

Comida? Sushi (vicia não vicia?)

Lugar em que desejaria estar agora? Auckland. Mas para parecer mais real, podia ser numa cama (não na minha).

Espero que para o ano possa... Viver.

Perfume? Miss Chérie.

Gesto? Abraço.

Peça de roupa? Jeans.

Parte do corpo? Lábios.

Animal? Vaca.

Objecto? Lâmpada.

Língua? Castelhano.

Palavra? Intensidade.

Blog? Esperoquenao


publicado por Filipa às 21:32
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Sentido

Que sentido têm as coisas cujo sentido se ausenta?

 

Na verdade, o que é o sentido?

 

Foram duas das muitas dúvidas que arrombaram o meu pensamento num momento vulgar. E fiz, o que faço sempre que tenho dúvidas à cerca do significado das palavras, remeti-me ao dicionário (sim, porque segundo ouvi há pouco, a wikipédia é imensamente desvalorizada). Dicionário desfolhado, sentido é (sendo, com certeza, o nome que me interessou) uma função psicofisiológica que consite em experimentar certa espécie de sensação. Claro que a lista de possíveis significados não acaba aqui e é infindável, mas este pareceu-me, sem dúvida, o mais perto da verdade. Fiquei ainda mais baralhada. Mais do que sou, mais do que estava.

 

A curiosidade aguçou-se quando me disseram que o que escrevo não faz sentido, que eu não faço sentido (pelo menos não todo). E como em caso de dúvida, ponho sempre a hipótese de estar errada, pesquisei sobre a palavra. Infelizmente, nem o dicionário, nem mesmo a wikipédia me dizem se sou eu que não faço sentido, ou se são as pessoas que não entendem o sentido que faço ou a ausência deste, que na verdade e subjectivamente pode fazer todo o sentido.

 

No entanto, como a obstinação é um fundo irreparável, repesquisei (ao que parece o re- faz todo o sentido) e apesar de não ter ficado ilucidada, por motivos vários e variados, apreciei o que li e fiquei claramente mais descansada, O caso não é assim tão grave, que alívio...O sentido que damos ás coisas depende do referencial. Logo vemos que dar é arbitrário.

 

Mas afinal, por que é que precisam as coisas de sentido? Ah conotações injuriosas e ruins!

 

O segredo, que não existe, talvez seja apenas ficarmos com as coisas, entre as coisas, apenas sendo e existindo com elas, sem sentido nenhum.

 

É o que penso, é o que sou, e isso faz todo o sentido!


publicado por Filipa às 21:13
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Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Mensagens

"Ontem a net foi-se. Desculpa lá."

"Na boa. Estás melhor?"

"Isto foi rápido...Estavas á espera de uma chamada ou assim? Sim, segunda já saio de casa."

"Não, estava só com o telemóvel na mão. Café para a semana?"

"Ok. Bjs."

"Estás tão conversador? É humor? Ou pagas mensagens?"

"Queres conversar, vai á net! Pago mensagens mas não é por isso, não dá jeito escrever no telemóvel."

"Ah está bem. Não estou em casa, mas á noite se puder passo por lá."

"Ah, então falamos por aqui! O que é que queres falar?"

"Mas tu pagas. Tens que pôr extravaganza. Não quero falar assim, sem mais nem menos, tem que ser uma cena estruturada."

"Então começa a falar que eu entro na cena."

"Acabei há bocado o exame de inglês. Como tive que me levantar cedo estou tipo zombie. O exame correu-me bem, o listening podia ter sido melhor. Mas acho que é desta. Muda o assunto que este é chato."

"Então é melhor não dizer nada. Olha, não tenho feito nada a não ser ouvir música e blog."

"Tenho que ir pesquisar isso também porque ainda não sei como comentar e como pôr a foto. A tua música?"

"Está indo até cima, tem 14 minutos."

"Mas já está mesmo concluída? Está boa?"

"Não tem fim à vista ainda. Mas de resto está como eu quero."

"Ainda bem. Imagina lá uma música infinita. Serias pioneiro."

"Infinita não, mas acabar em aberto sim. Mesmo tipo estar ali no clímax e acabar."

"Então infinita! Ou depois do clímax. Depois do clímax pode ser aberta."

"Não a deixar aberta é ter um fim prevísivel e normal."

"Eu acho bem, assim pode dar que pensar e sonhar. É como os livros, os filmes, as histórias e tudo."

 

Claro que isto continua. Claro que não vou revelar o outro envolvente. Claro que mudifiquei erros ortográficos e pontuais. No entanto, a genuidade conserva-se! A forma estúpida de iniciar uma conversa, que à primeira vista parece inútil, e a maneira fria de tratamento dos envolventes, que à primeira vista também parece que não se conhecem bem, são curiosíssimas. Num primeiro e último ponto, porque nada parece realmentre o que é.

 

Aceitam-se reclamações dos lesados ou por lesar (mas espero que não).

 

Saudações cordeais.

 


publicado por Filipa às 14:21
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Hoje

Hoje, e desde há muito, que não me lembro sequer de haver um hoje, deambulo pelos pensamentos, pelos meus e pelos dos outros, e sei que não chego a conclusões. Logo agora, que as decisões desesperam. E eu devia desesperar com elas, no entanto hoje considero-me apática. Não estou bem, e devia estar, não estou mal, e devia estar. Nem me identifico.

 

O meu lado demasiado impulsivo desaponta-me. A verdade, é que agir nem sempre significa agir bem. E a consciência… A seguir vem o arrependimento. Ah o arrependimento! A minha massa encefálica sussurra-me ao ouvido para não ligar a esse vocábulo. Grita-me, senhora da razão, que mesmo com os erros aprendemos, aprender é bom, logo nunca deve existir arrependimento. Mas o Ser Humano, apesar de ser justamente grato a quem lhe dá conselhos, máquina de engenharia mais que complexa, onde os fluidos e as resistências são dificílimos de se definirem, nem sempre dá os ouvidos. Nem sempre, meus caros, ou quase nunca, se for sinónimo para causas perdidas.

 

O simples facto de não poder saber aquilo que se quer saber, juntamente com o direito que o Ser Humano tem ao Conhecimento, revolta! Mexe da semelhante maneira como mexe a quem lhe tiram o direito á civilização. Ter de medir palavras é insuportável. O silêncio é o som mais prazeroso e também o mais penoso. E os actos, por vezes, não falam por sim, e aí discursam completamente o contrário. E se não fosse assim, muitas coisas se evitariam, muitos males se removeriam, e muita frustração ignorada se transformaria. Mas as guerras são inevitáveis!

 

As confusões surgem na minha vida pessoal sem autorização e literalmente sem eu dar conta, ou quando dou, já é demasiado tarde. Sim existe cedo e tarde! Existem momentos oportunos e tudo isso!

 

Hoje não fui fiel a mim mesma, hoje não soube viver…

 

No entanto, talvez alguém saiba perceber o meu fascínio por vacas.

 


publicado por Filipa às 23:07
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

O Miguel

Há uns tempos, falei com uma pessoa com "problemas mentais", ao telefone. As aspas são porque penso que todos os têm, uns mais que outros. Notava-se sim, uma certa anormalidade, ou normalidade, depende da nossa conotação. Pronto, para simplificar, uma certa diferença!

 

Em cinco minutos de tête-à-tête tive a opurtunidade de lhe perguntar o que fazia. Ao que parece, do ponto de vista dele é jardineiro, do nosso é varredor de ruas. Que sentido de humor o do Miguel! Trocámos o conhecimento das nossas próprias idades e do que estávamos a fazer no momento. Ele estava a ver pessoas a nadarem numa piscina. Talvez o movimento o fascine, talvez seja a água e o contacto com esta. Talvez pense como eu, que debaixo de água impedidos de trocar palavras e livres fisicamente falando, somos todos iguais. Na água, todos mergulhamos nos nossos próprios pensamentos sejam eles quais forem, tenham eles a loucura que tiverem.

 

Ele estava apenas a observar, como os meus pais não tinham paciência para fazer quando eu era pequena (ou menos crescida) e ía á natação. Ele tem gosto em ver e focar coisas que nos passam ao lado como banais, tolera ver pormenores e detalhes, até aqueles que ninguém repara e que podem nem existir. O pensamento do Miguel é fascinante, leva-me a pensar e matutar quem será mais louco, ele ou eu! E leva-me a conclusões muito óbvias e traz-me a vontade de falar com ele mais cinco minutos ao telefone. Não sei ao certo qual o diagonóstico dos médicos em relação a ele, o meu é que tem muitas coisas novas para contar e o mundo dele para mostrar. Porquê domesticá-lo quando podemos nós ser levados á loucura dele? Porque é que ele é que não é normal? Porque é que as pessoas são bárbaras e não se deixam aproximar? Porque é que o Miguel está errado e eu estou certa? Não serei eu louca em vez dele? Não terei eu problemas mentais mais graves que os dele? As conotações não valem nada!

 

Ele quer que o oiçam, que o aceitem, jardinar e ver pessoas livres dentro de água. Sem dúvida, uma criatura interessante e a única pessoa "desconhecida" com quem falei cinco minutos e me cativou imediatamente!

 

Até logo Miguel!

 


publicado por Filipa às 15:19
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O Conto

Era uma vez, dois amantes perdidos. Entendam-se por amantes dois apaixonados e por perdidos, desesperados. Os nomes dos protagonistas ninguém sabe, dizem por aí que possuem vários nomes. O que interessa?

 

Ambos jovens, estudantes universitários, no entanto, com objectivos diferentes na vida. Aliás, coisas em comum era o que eles tentavam encontrar à força, como quem tenta achar cerejas numa macieira. A mulher, sim, porque fazia questão de se afirmar como tal, vivia sozinha, coisa para a altura algo disparatada. A casa era estranha, pequena mas decorada até ao mais ínfimo pormenor de uma maneira muito peculiar e nada dentro da moda considerada na altura. Todavia sorria luz e convidava a entrar.

 

Como é que esta senhorita se sustenta e orienta vivendo sozinha e sem parentes conhecidos? Era a questão que mais atormentava e inquietava as vizinhas, testemunhas de toda a película. O dinheiro, ó o dinheiro! Que falta nos faz? E que falta nos faz a falta dele?! Assim continuavam os comentários, e como a maldade sempre foi amiga da falta que fazer, assim se difamava a moça. Com frases perdidas se ia dizendo que andava na má vida. Vê vizinha, ali vai ela, toda jeitosa, de certeza...Veio-se a saber um dia mais tarde, já a moça era uma puta, que o pai vivia fora e sustentava.

 

Quanto ao rapaz não há muito mais a comentar, a não ser que era de uma família de classe média com uma educação dura e conservadora onde não era aceitável que uma pessoa do seu sangue conversasse com uma mulher cuja educação era suis generes, e que vivia sozinha na solidão de uma casa. Porém isso não foi impedimento para os dois. Não existe impedimento quando o interesse entre um homem e uma mulher é verdadeiro. Tudo começa com um interesse.

 

Apaixonaram-se secretamente e passaram por maus bocados. Enfim chegou a Primavera, os pássaros piavam e só a beleza da natureza os encantava. Nada tem graça sem obstáculos, meu amor, diziam um para o outro. Ultrupassaram as barreiras e assim sem mais ou porquês eram namorados. Porque estas coisas do coração não têm causa ou razão. Porque quem ama nunca sabe o que ama, não sabe porque ama, nem o que é o amor.

 

Aos olhos da sociedade não passam de patetas enamorados. Aos olhos deles, ou cegueira de cada um, como quiserem, são muito mais que tudo. Vivem tão intensamente que tranquilidade é um vocábulo inexistente para ambos. Não fazem caso dos poemas de El-Reis, e o lugar ideal para amar, as nuvens, a lua, o universo e mais longe ainda.

 

Depois de perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a força humana, os dois apaixonados conseguiram o noivado. A ausência de grandes festejos, foi substituída por um simples jantar na casa dos progenitores do noivo, e assim trocaram as primeiras alianças.

 

Numa noite antiquíssima e eterna, num dos muitos encontros clandestinos, entre um desejo desmedido e uma escapadela fugaz à casa dela, ele morreu. Foi atropelado. E alguém os obrigou a esconder os rostos cobrindo-os com um pano indigno, a ele porque já não estava entre nós e especialmente entre ela, e à noiva porque sofria de ter de o deixar de ser. Mais que a dor que sentia era desespero, revolta, e tudo no mesmo tempo cruel.

 

Mas o amor é uma cousa estranha, e tem de tão desconhecido como de intenso. E a sua viuvez ainda não era uma solidão consentida. O noivo ainda ali estava, ainda a acariciava e a fazia sonhar. A sua cara estava esvaída, exausta, contudo tinha uma paz de dia findo e falava com ele como se o visse, como se o sentisse, como se ele estivesse ali. Enlouqueceu. Serena e feliz, possuía uma paz maluca conquistada a desepero, mas que força nenhuma podia mais perturbar. Acabou o curso, arranjou emprego, graças à influência do seu sogro que morria de piedade da desgraçada, e na realidade dos seus sonhos casou com a grandíloca paixão da sua vida e morte.

 

Na sua loucura amaram felizes para sempre.

 

 


publicado por Filipa às 15:17
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Apresentação

Eu superficial: Chamo-me Filipa, tenho 19 anos, sou do signo Touro, ascendente Sagitário. Sou estudante de Engenharia Civil, solteira, baixa, magra, olhos castanhos, cabelo castanho arruivado, pele branca e escura (se forem uns cabrões preconceituosos). Vivo a cinco minutos de Lisboa (Portugal) com os meus pais e o meu irmão. Gosto de variadas coisas e sou curiosa.

 

Eu menos superficial: Sou uma criatura visível, um Ser Humano. A não ser que haja Aliens entre nós! Será? Chamo-me Filipa, mas acho que se me chamasse Olívia também se adequaria, tenho 19 anos e poderia ter 10 e por vezes 60. A Astrologia fascina-me como me fascinam tantas outras coisas, não sou céptica em nada porque penso sempre Porque não?; gosto de estudar Engenharia Civil, é a profissão mais adequada a um lado meu, e tem um objectivo que é ganhar dinheiro para viver muito e muitas coisas. Detesto preconceito e convenções, detesto o igual e o equivalente, o monótono chateia-me, gosto do diferente e do que ninguém tem (mas de uma forma discreta). Vivo pertíssimo de Lisboa, mas na verdade gostava de viver na Nova Zelândia. Ah, a propósito, adoro vacas! Tenho uma família imperfeita e para mim isso é insuportavelmente bom. Tenho poucos amigos e cada vez mais tenho menos e com maior importância. São a mobília, são da casa! Há quem diga que sou doida, eu considero-me impulsiva e boa vivã. Tenho um pé em Terra e outro que viaja entre Vénus e Saturno. Momentos de loucura, tantos... Sou paixão incondicional. Tenho vários Eus, como todos, e o objectivo é tentar mostrá-los e baralhá-los. As confusões atraem fatalmente e eu gosto. Gosto de ser assim, como quem me conhece, como quem irá conhecer  e como ninguém nunca há-de conhecer. Gosto de ser Eu e o mistério é insaciável.


publicado por Filipa às 00:38
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O Conhecimento

A vida é um caos!

Os seres humanos cada vez mais conhecedores incessantes de assuntos variados,  interessantes e úteis, por vezes o contrário, estão também cada vez mais complexos. Pelo menos é o que o meu caminho experimental verfica. As coisas simples têm uma tendência fatal a tornarem-se desinteressantes e indignas. O Homem busca cada vez mais o indescoberto, o novo e o renovo de uma ambição tal que o leva sempre á superfície, tenta ligar aprendizagens que não têm ligação possível porque seria demasiado fácil aceitar esse facto por si só.

A ambição, tão perigosa, leva-nos por vezes á estupedificação. O Homem nada ignorante alia-se a coisas que nada têm a ver com o Conhecimento.

Ah, eis quando surge a palavra, o conceito, o que pode ser tudo. Todos o querem, ninguém o tem, não o supremo, não aquele que não vem nos livros, não aquele inantingível pelas criaturas visíveis.

As pessoas (que palavra tão estranha) focam-se, actualmente, num só assunto tentando inteligentemente o sucesso e conseguindo inperspicazmente a ignorância. Só sabem aquela coisa, só falam, escrevem e lêm de uma maneira, só experenciam aquilo e pior, a maior das minhas desilusões fecham-se a tudo o resto. Se falam não fodem, se fodem não comem, se estudam não lêem, se lêem não escrevem, se escrevem não vêem coisas parvas, se vêem coisas parvas não se interessam por coisas cultas, se se interessam por coisas cultas não querem simplificar, então complicam. Falta nas pessoas (repugnante até) uma injecção Renascentista. Falta faz quem lhes pudesse tirar as pálas, os complexos e abrir-lhes as mentes.

Muitos problemas se resolveriam meus caros, acreditem que muitos! A Humanidade estaria perdida num bom paraíso. Sem mapa algum, porque não faz sentido orientar quem se quer perder.


publicado por Filipa às 00:31
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