Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

The way

“The way you look tonight…” is everything I heard to his mouth. And in that moment I am certainly sure about the way I guide my life. I don’t even care if those words are the last. Actually I just care about the simplicity of his words, in that night…


publicado por Filipa às 00:13
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Domingo, 27 de Junho de 2010

Amanhã

Amanhã, lá, onde se projecta o futuro. Onde a certeza se transforma em névoa e nada sobre o hoje se sabe, nem sobre o sempre. Onde as incógnitas são habitantes e a ignorância é o conforto que as acomoda. Lá, não sabem bem onde, vivem mulheres…

 

Mulheres que o excesso de remédios transformara em sonâmbulas infantas defuntas, convulsionadas pelos escoriais dos seus fantasmas, sem qualquer bússola, sem qualquer direcção e pior, sem nenhum, absolutamente nenhum exemplo a seguir. Poderia ser a salvação delas, como acontece em muitas sociedades, mas nesta não havia salvação possível.

 

(Mas não haver salvação não é assim tão preocupante, a Humanidade perdida não é sinónimo de Fim do Mundo.)

 

E enquanto tudo, um escudo continua a ser um escudo e aparências continuam a ser necessárias.

 

Aos sábados, os salões de cabeleireiro abarrotavam. Os mesmos habitados de baratas, propunham às donas de casa em mal de imaginação soluções capilares imprevistas, a que retrosarias poeirentas dariam o toque final de soutiens de renda, mosquiteiros torácicos capazes de rejuvenescerem de erecções formidáveis vinte e cinco anos de resignação conjugal. Aos sábados entre o berro da ausência de café na mesa e o cheiro entranhado na pele a refogado (odores da fome e da miséria), aquelas mulheres garantiam uma ou duas boas fodas, dependia das ondas (do cabelo). E assim, estas mulheres todos os dias esperavam incessantemente mais do que um sábado, mais do que prazer, algo que também era uma incógnita. Esperavam, como espera um cego os olhos que encomendou pelo correio. Sem desespero ou ganância. Que sabem as mulheres de desespero?

 

O tempo de espera também é uma incógnita. E lá, ao domingo, vão á Igreja de manhã, e com muita Avé Maria se enchem de fé, mas de uma especial, e com muito Pai Nosso dizem mal do que é e do que não é, e enviam tudo para o caralho, sempre controladas, sempre meio adormecidas.

 

No caminho para casa, a única liberdade que têm, essa e a do pensamento, os seus espíritos enchem-se de coragem. Os seus pés sujos e mal tratados pisam a calçada, donas do Mundo, donas do Nada. Posto que o Mundo não existe…

 

Ao chegarem ao destino, dão de caras com os seus próprios fados que não desaparecem nem mil Avé Marias rezassem, nem mil vezes confiassem na bondade de Vossa Senhora. Levam porrada, porque o almoço atrasou ou simplesmente porque sim. Ficam tão negras…

 

Entre estalos, pontapés, socos, puxões de cabelo, violações, ficam negras… De alma; porque o corpo já está habituado.

 

Posteriormente entopem-se de medicamentos, a seguir nada importa mais, nem as nódoas negras, nem o filho da puta da qual nunca conheceram Amor, nem as crias, nem a Fé, nem a Alma, nem elas, nem as incógnitas, nem Amanhã.


publicado por Filipa às 13:48
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Terça-feira, 22 de Junho de 2010

Credibilidade

Será que consegui tirar toda a credibilidade ao meu blog?

 

Gente burra pá...


publicado por Filipa às 17:24
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Diário

Á mesmíssima medida que as responsabilidades acrescem e o tempo aperta, e as sufoca, a elas, e muito mais a mim, eu me vou contentando com o “não fazer nada” e adio o agora, que não me apetece! Entretanto, pasmo os meus livros, não os de engenharia, os de histórias, os de vida, e enquanto o meu olho esquerdo cai sobre o Atlas Mundo, a vontade de sair cresce, o olho direito cai sobre o Diário de Miguel Torga. Como gesto natural, levanto-me e alcanço-o, abro-o aleatoriamente e depois os olhos juntam-se e recaem ambos sobre o seguinte:

 

”Gerês, 6 de Agosto de 1966- A felicidade dos suficientes!


-Eu nunca falhei!


E só lhe pude responder alanceado, como num gemido:


-Pois eu falhei sempre.”


Imagino, ou tento, o embaraço da pessoa que ouviu a última frase, a presunção que lhe caiu nos pés, o ridículo da sua pessoa e do seu orgulho sem razão, pelo facto de pensar convictamente que nunca tinha falhado.


E lembrei-me imediatamente das pessoas que seguem a sua conduta, acham raramente ou quase nunca que estão erradas, emanam sempre a sua perfeição e pensam desumanamente que nunca falham, e se o fazem conseguem “sair” (julgam elas) da maneira mais cordial possível das situações. A vida complexa, feia, confusa e nojenta por vezes, estruturada pelos milhentos caminhos tortuosos e tortos que existem, não lhes interessa, passa á frente delas e os seus espíritos não a vêem. A que têm é suficiente, a sua felicidade é suficiente. Não sabem, estas pessoas, que a felicidade só é dos suficientes…

 


publicado por Filipa às 17:13
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Domingo, 20 de Junho de 2010

A morte

Mais triste que não ter o que escrever, é não ter para quem escrever. Não ter porque não existe, porque não apetece ter, porque dá trabalho, e por enquanto a necessidade não é justificativa, nem suficiente. Não ter porque não se está nem aí para ter, não ter porque os sentimentos não são suficientes para a atenção preterida, ou simplesmente não ter…

 

Mais triste que relembrar as coisas boas e irremediavelmente passadas da vida, é relembrar a morte. A morte nua e crua que contacta connosco da forma mais abrupta e indiscreta que existe. A vida que nos passa literalmente à frente dos olhos, da mente e do coração, o aperto, o trémulo, a raiva e a fúria que advém do contacto. A lembrança de uma pessoa querida que morreu há um ano, vem-nos profundamente e espontaneamente sem pedir licença, é mal-educada, bate com as portas e magoa, magoa muito.

 

Mais lágrimas.

 

A certeza do futuro de um amigo, ou da falta de futuro, de destino cruel (o destino com a única conotação que interessa, o fim). Essa lembrança é triste e injusta. Quando alguém sente com a maior das penas que ele vai morrer, o egoísmo não deixa querer que esse facto se torne realidade. Eu sei, é um facto, um facto é uma constatação da realidade. Mas a realidade muda e são tantas as realidades…

 

Não quero que ele morra, não quero…

 

Não quero ter mais contacto com a morte, natural, tão natural que ela é. As causas dela não importam minimamente, são mesmo estúpidas, porque depois dela acontecer nada mais importa. Só a dor, só o sofrimento. O sofrimento é egoísta, mas e depois?! Se calhar era melhor assim, se calhar vão dizer: foi melhor assim; evitaram-se mais tragédias. Mas a única tragédia que noticio para além da morte, é a morte da Humanidade. Tudo o resto… Tudo o resto são pedras no sapato, tudo o resto não nos impede de viver.

 

Parece estranho este ser o assunto de 20 meses de Janeiro acumulados, mas como todos os assuntos, não se escolhem quando vêm á tona e porque vêm á tona, aparecem, mesmo que não existisse Janeiro. E este assunto, meus caros, é incontornável… Porque pior que morrer é senti-la. Aos pedacinhos, coisa a coisa vai desaparecendo e quando damos por isso a estranheza acresce exponencialmente. E como tudo o que é exponencial, só conhece o infinito.

 

Nunca tive a presunção que gostasse de mim da mesma maneira, nem lá perto, nem que eu lhe fizesse a mesma falta, nem lá perto… Porque o importante para mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível, e que esse momento será inesquecível.

 

O momento também morreu, mas a memória salvou-se!


publicado por Filipa às 21:48
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Inutilidades

Ora bem... Hoje fiquei em casa... E apesar da falta de assunto útil, sim porque o inútil abunda sempre, e de ter acabado de estragar a minha tecla do espaço (isto deve ter outro nome, de certeza) só porque me apeteceu ver como era o meu portátil por baixo das teclas (é preto e não tem nada de interessante), decidi voltar a estas lides e escrever um post novo, que o antigo já tem pó!

 

Sim, hoje fiquei em casa, não é que isso seja estranho, visto chamar-se casa, é só para prenunciar que tinha planos para hoje á noite e que se dissiparam por variadas razões.

 

Esta semana, a Maya disse: evite refugiar-se numa vida social intensa ou desenvolver comportamentos marginais. Pois bem, achei melhor seguir-lhe os conselhos e deixar-me ficar por casa onde a minha vida social não é intensa, e principalmente onde os meus comportamentos marginais se contentam em desligar o despertador e adormecer de seguida até o sol já ter feito mais de meio trajecto. O que a Maya se esqueceu de dizer foi que devia ter cuidado com os anti-histamínicos e aproveitar os períodos de alta tensão alérgica para fazer aquela viagem que tanto sonho em fazer até à Lua. Pode ser que por lá não haja pólen, pó, cheiros incomodativos ou outra coisa qualquer de que sou altamente alérgica e ainda não sei. Pelo menos a conhecida taróloga acertou na parte de ser uma semana em que as pessoas de signo touro se encontram confusos e insatisfeitos. No entanto, acho que como pessoa deste signo tenho o direito de acrescentar mais e uma única coisinha. Que estes nativos se sentirão inúteis.


publicado por Filipa às 21:41
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